sexta-feira, 13 de maio de 2011

Manus e Boa Vista






Aconteceu que nos encontramos por volta das 16 horas no aeroporto. O Fabinho passou aqui em casa e me acompanhou com as malas e as cuías. Lá chegamos e em seguida avistamos o Helder caminhando em nossa direção. Podíamos ouvir os pulos dos nosso corações! O Helder como de costume oficializou ritualisticamente o inicio de nossas viagens! Tomamos o nosso último café e nos despedimos da cidade “Cinza e fria” como só ela sabe ser.
Não partimos deixando coisas, ou gente. Partimos em direção ao novo, ao belo e sedentos pelos encontros que de alguma forma já intuímos que seriam atravessadores!
Chegando em Manaus com horas de atraso... já estávamos cansados de voar e quem nos esperava de esperar.



A cidade inteira adormecia na nossa chegada.
Adormecemos embalados pelos cantos secretos daqueles rios.
Amanhecemos juntos com a cidade.



Saí e procurei algumas igrejas.
Respirei, vi e ouvi.
Depois do café saímos em direção ao SESC Manaus que para nossa sorte ficava bem perto do Hotel. E lá fomos muito bem recebidos e já fomos encaminhados para o espaço onde apresentaríamos. Susto! Era uma quadra que eles adaptaram um palco com luzes. (Mas um SESC que não tem seu Teatro Próprio -É que no maranhão também não temos – Em compensação o Teatro do SESC Boa Vista é incrível!) Minha cabeça girou: E a intimidade que o espetáculo tanto pede? Como faremos? Mas estávamos todos com a mesma intenção: que o melhor fosse feito! E eis que surgiu um Teatrinho de bolso! Pequeno e íntimo o suficiente! Tinha que ser ali. E foi. Aconteceu. E devo confessar que estava ansiosa com inicio da comunicação. Queria saber como seria recebido o espetáculo? Quais seriam as impressões? Sinto que o inicio do espetáculo é muito importante para que eu estabeleça esse elo de intimidade com todos. E aconteceu tanto em Manaus quanto em Boa Vista. Vi olhos e ouvidos atentos.
Manaus abençoou o inicio de nossa caminhada. O debate foi a parte mais especial de tudo. Recebemos abraços e palavras carinhosas a respeito do trabalho. Saímos dali Felizes e loucos por uma cerveja. Fomos para no bar do Português e o resto é por conta da sua imaginação...
Nesse pequeno e rápido percurso de nossos dias juro que pensei que talvez daria para conhecer um pouco a cidade, sua história, sua gente e seus rios. Mas quem disse que dá tempo? Queria deixar registrado aqui nosso lamento: íamos embora e nem sequer veríamos o rio negro! O motorista se compadeceu de nós e antes de embarcarmos ele nos levou até a margem por 5 minutos!





Sentimos então de onde vinha aquele cheiro

que invadia a cidade

e reconhecemos dentro daquela imensidão

toda o privilégio que é crescer

com a companhia constante daquelas águas

tão silenciosas.





Em Boa Vista chegamos era por volta das 14hs mortos de fome e não conseguíamos encontra um lugar aberto para comer. Depois de tanta comida de avião nada como um pouco de arroz e feijão! Comemos um peixão na beira do rio Branco e por lá ficamos até o cair da tarde. Conversando com os meninos músicos do Acre que também estavam participando do projeto "Amazonia das Artes".

Fomos recebidos com festa!

A noite fomos assistir a Cia. Independente do Rio de Janeiro pelo Palco Giratório dentro da programação do Amazônia das Artes. Essa noite foi tão boa quanto a noite em Manaus. Nada como encontros que nos fazem pensar um pouco no que fazemos e no que deixamos de fazer, nos nossos sonhos, na nossa fé, nas nossas escolhas, nas nossas palavras, enfim na vida!

Essa noite foi dessas: de choro entalado na garganta, de sonhos ameaçados, de corações e corpos aflitos.
Ainda embalados pela discussão de ontem amanhecemos sedentos para darmos sentido ao que acreditamos. E lá fomos montando nossas cadeiras, nossas luzes, nosso espaço, transformando e nos deixando transformar. Nesse dia os deuses, deusas e anjos estavam todos lá. Algo muito precioso aconteceu, como sempre acontece...

Terminamos eese primeiro circuito com a certeza de que fizemos a escolha certa. E que se o começo foi assim a boca enche de água só em pensar nos encontros que seguirão.
Termino com essa certeza: minha formação começa aqui.
E evoé Baco!






Foi incrível! Inesquecível! Estou bem cansada. Embora cheia de vida!
E repensado todo o meu fazer.
O aprendizado: A arte que é arte quando é feita com amor e verdade comunica a todos.
Todo artista precisa de grandes deslocamentos. Dentro de... si e dentro de seu próprio território!
Ouvi coisas lindas! Vi olhares que só olhavam e ouvidos que escutavam! Vi bocas que se deixavam falar! Senti corações que há muito tempo não percebia no mundo! A gente fica perdido nas nossas dores. Nos nossos sonhos. Na "nossa arte" e esquece que por trás de tudo isso que nós chamamos de vida tem mistério. E o mistério estava lá! Conheci pessoas com vontade, paixão, brilho nos olhos e uma sede de “troca” que há tempo não via!
To começando a perceber que só fui lá para rejuvenescer!
Confiante das minhas escolhas e nas minhas decisões.
Percebendo enfim que agora é que minha formação está acontecendo de fato.
Nada como está na vida!
Estou muito feliz!

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